Editorial

EDUCAÇÃO PARA MAIS RESPONSABILIDADE SOCIAL

Com este número o Boletim entra no seu segundo ano de publicação. Trata-se, é certo, de uma publicação ainda muito jovem mas com potencialidades para chegar a um público mais alargado do que os Associados da AIA-CTS, assim cada um de nós se envolva na sua difusão alargada. As notícias sobre eventos ocorridos e outros programados, livros e revistas, artigos curtos sobre ideias centrais subjacentes a políticas e práticas educativas a nível de desenvolvimento curricular, recursos didáticos, projetos de intervenção, formação de professores, avaliação de aprendizagens e de competências, serão motivo de interesse para acompanhar e difundir o Boletim. Este foi um propósito de partida da AIA-CTS e gostaríamos de poder vê-lo crescer e de avaliar o seu impacte na Educação em Ciências.

A educação é central em qualquer sociedade, todos concordam com isso. Não que seja apenas o que se aprende na escola, aquilo que condiciona o que cada um será no futuro, mas porque a escola deve ser o espaço e o tempo em que competências básicas se constroem e essas, sim, nos capacitam para aprender para além da escola. Ora, a educação em ciências tem vindo a assumir uma importância crescente nas sociedades atuais, dado o aumento do número de anos da escolaridade obrigatória, o que acrescenta, em geral, mais anos ao estudo das ciências. Por outro lado, desfez-se o mito de que aprender ciências não era um assunto para crianças pequenas devido à sua complexidade. A investigação sobre o ensino e a aprendizagem das ciências nos primeiros anos tem demonstrado que se trata de uma área de intervenção muito importante e com ganhos apreciáveis para o desenvolvimento de competências. Assim, e em geral, ensina-se ciências mais cedo e durante mais anos. E nas aprendizagens que ganhos houve? Esta é a questão central e as respostas serão muito diversas, dependendo dos países, dos contextos, das orientações políticas sobre currículos e programas e, sobretudo, da formação dos professores e das suas práticas.

É neste leque alargado de variáveis que se equacionam orientações para melhor educação em ciências que promova mais e melhor cidadania, de mais igualdade para todos saberem decidir enquanto cidadãos num futuro incerto, apesar do crescimento e avanço do conhecimento científico e tecnológico. A educação em ciências de orientação CTS é uma via a percorrer para alcançar propósitos de cidadania mais justa e de futuro mais sustentável. A educação CTS não anula a importância do conhecimento científico, pelo contrário realça o seu papel central na compreensão de muitos problemas reais e amplia horizontes no desenho de soluções em cenários que, numa sociedade global, se venham a equacionar. Ser literato em ciências e tecnologias tem de ser um objetivo de todos, construído ao longo de toda a vida. Como conseguiremos preparar-nos para isso é um dos grandes desafios.

O V Seminário Ibero-Americano CTS, a realizar em 4-6 de julho próximo, na Universidade de Aveiro, tem como tema central «Novos desafios societais no ensino das ciências e tecnologias», um tema atual, por isso pertinente, mas muito ambicioso. Falar em desafios implica discutir formas de os superar e as respostas serão, necessariamente, muitas e diversas. Assim se espera que aconteça. Foram submetidos cerca de 300 trabalhos, dois terços dos quais foram aceites para apresentação. Esperamos que os seus autores, bem como todas as participações convidadas – conferências e painéis -, nos acrescentem saberes que possam consolidar quadros referenciais para a investigação, a prática educativa e a formação de professores.

Isabel P. Martins

Direção da AIA-CTS

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